segunda-feira, 15 de junho de 2009

crônica: JOÃO EDUARDO RIELO

Rubens Antônio da Silva
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Muita gente não sabia que ele estava doente e foi um susto muito grande. João Rielo não se lamenta, só quer trabalhar. Quando soube da gravidade da sua enfermidade, desconversou. Não é isso, não. O médico está enganado. Procurou acalmar a família, não quer o sentimento de pena. Quer trabalhar. Mesmo quando a doença tira a luz de seus olhos e a firmeza de suas pernas, não reclama. Pergunta pela identidade das pessoas que o rodeiam. Eu mesmo, estando ao seu lado, quando informado por sua mulher de que estava ali, pude sentir a sua mão ainda firme bater em meus joelhos em sinal de saudação e alegria. O seu caso se complica, mas enquanto tem voz, bendiz e louva. Tanta gente se juntou ao corpo inerte no velório de Boituva. Não houve quem não se recordasse do quanto ele gostava das pessoas e era gentil com elas. Educado, pacífico, conciliador. Tolerante, paciencioso. Trabalhador, forte, disposto. Cada um procura seu adjetivo para qualificá-lo. Nunca rancoroso, nunca raivoso, nunca violento. João Rielo mereceu a profusão das lágrimas que correram nas faces desoladas. Pois é, João, a morte é mesmo assim. Tudo o que que você não queria era fazer chorar.

sábado, 13 de junho de 2009

crônica: JOAQUIM

Rubens Antônio da Silva
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Faz bem pouco tempo que estou no orkut. Mês e meio, mais ou menos. Fiz e recebi convites de adição de amigos. Logo encontrei lá a figura do Joaquim. Ou Dr. José Joaquim Dias da Silva. Não poderia deixar de abrigá-lo na minha conta de amigos, trazendo para perto aquele advogado que me enxergava e me saudava de longe. Pedi add. Uma vez, estando em diligência no Conjunto Del Fiol do CDHU, no Bairro Tanquinho, eis que de repente ouço ao longe meu nome. Era ele que vinha em minha direção apenas para me cumprimentar. Um moço alegre e comunicativo, que me parecia sem inimigos. Seu pai foi secretário da Escola Tomás Borges quando eu era aluno, e sua mãe professora, quando eu lecionava. E eu aguardava sua aprovação na página do orkut quando recebi a cruel notícia. Fui ao velório e lá estava ele, de óculos, sem vida, ao lado dos pais. Que Deus lhes dê o conforto. Meu pedido de adição de amigo está feito. Amigo que morre amigo é amigo para sempre. Está registrada minha saudade.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

ABOBRINHA

A mãe desliga o rádio. A filha reclama.
- Agora só tem abobrinha, filha!
A criança pensa por um instante.
- Deixa, mãe, quero ver como que é abobrinha.
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Rubens Antônio da Silva

terça-feira, 9 de junho de 2009

crônica: POSTO DE COMBUSTÍVEIS

Rubens Antônio da Silva
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Não sei o nome daquelas pessoas. Também o que aconteceu até minha chegada só sei pelo que me disseram. Parece que um mendigo escolheu um espaço na calçada, atrás de uma bomba de combustíveis, para instalar a sua cama. Deve ter considerado a segurança do local e a cobertura metálica. Mas o posto estava em pleno funcionamento e certamente enfrentou a oposição dos que ali trabalhavam. Mas ele estava lá, enrolado em seu cobertor. Era onze e meia de uma noite. Tudo o que eu queria era voltar para casa e ganhar uma cama quentinha. Mas há pessoas bondosas e idealistas que, nessas condições, em vez de pensar na cama quentinha, pensam naqueles que não a tem. E foi o que aconteceu. Uma senhora já velha, magra e fraca, saiu de seu conforto para procurar pelos desafortunados que habitam as ruas. E encontrou aquele homem ali. Parecia bem acomodado e agasalhado. Ela ofereceu-lhe alguma coisa para comer. Comer?
- Não, minha senhora, aqui não!
- Esse homem deve estar com fome.
- Não, aqui não. Aqui não é lugar para piquenique. É uma estabelecimento comercial.
- Eu limpo a sujeira...
- Não, sra, não.
A mulher estende sua mão frágil em direção ao homem dormente, inclinando o corpo.
- Não, dona.
O frentista detem sua mão e a afasta daquele ser que parece tudo ignorar.
Aqui eu entro na história. Não sabia de nada. Parei no semáforo fechado e vi aquela mulher suplicante chegar à janela do carro. Pensei em algum acidente ou mal súbito.
- Moço, moço, liga para a Polícia. Esse homem me bateu, liga para a Polícia.
De impulso, peguei o celular e digitei 190. Um homem procurava dissuadi-la.
- Ninguém bateu na senhora, dona. Por favor...
Toca, toca e ninguém atende. Um desconhecido montado numa moto, talvez cliente do posto, se aproxima.
- A senhota tem que entender. Eles tem o direito de não querer mendigo no posto...
Finalmente atenderam.
- Corpo de Bombeiros, boa noite.
- Não é da Polícia? Digitei 190...
- É... quando eles não atendem, cai aqui. Por favor, ligue novamente.
E a mulher se lamentava.
- Ele me bateu só porque eu queria ajudar aquele homem.
- Ninguém bateu na senhora, dona!
Abriu e semáforo e saí com o carro. Toca, toca e, finalmente...
- Corpo de Bombeiros, boa noite.
- Mas caiu aí de novo?
- Espere um pouco...
Demorava e precisei desligar para dirigir.
Minutos depois, passei novamente pelo local. Parecia tudo calmo. A mulher, agora calma, conversava com alguns homens. O Posto funcionaca normalmente. O morador de rua dormia como se nada tivesse percebido.
Rubens Antônio da Silva

domingo, 7 de junho de 2009

JAQUELINE

Rubens Oficial

Mamãe, estou com fome
e a fome me consome.
Mamãe, quero mamar
na mamadeira nova de bico novo.

Mamazinho, mamãezinha.
Só leitinho, que açúcar -
papai falou - faz mal.

- Mamãe, por que tem açúcar,
então?
(Tatuí, 1988)

RIO E SOL

Rubens Oficial

(para Bruno)

O sol se banha no rio
e não se molha.
Mergulha no leito frio,
para quem olha.

O rio desce a pedreira,
mas não leva o sol,
que ali fica a tarde inteira,
aquecendo o caracol.

Quer pescar um arco-íris
e levá-lo até o céu.
Oh, sol! Leva, ao partires,
minha dor nesse teu véu.

(Tatuí, 1999)

O DESCOBRIMENTO DO MUNDO


Rubens Oficial

O mundo, por certo,
um dia foi descoberto.


Mas nem sempre foi igual.
- O descobrimento
é individual.


O mundo transfigura
aos olhos da gente.
Para mim e para você
existe um mundo diferente.


Mesmo assim, desde Adão,
pisamos o mesmo chão.


Mas, então, como é que é?
O mundo está na visão
ou o mundo está no pé?


Na verdade, Quem fez o mundo
fez o homem e a mulher
com poder de transformá-lo
no mundo que quiser.

(Tatuí, 20.01.1995)

quinta-feira, 4 de junho de 2009

praça

Embora a Prefeitura tenha instalado muitas lixeiras na praça, as árvores insistem em jogar folhas ao chão.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

UM POEMA PARA ALUMÍNIO

Rubens Oficial


(Este poema foi um pedido da professora Renata, da Escola Manoel Netto Filho, à minha netinha Gabrielly Berger, quando ela morava em Alumínio e era aniversário da cidade. As crianças deveriam pedir a ajuda de um adulto. Gaby tinha 5 anos e ainda não era alfabetizada. Então fui fazendo perguntas a ela sobre o que achava de Alumínio e fui escrevendo. Confiram o resultado da experiência.)





minha cidade é bonita!
gosto das ruas, das calçadas
gosto da minha casa

gosto da minha escola
da biblioteca
(mesmo sem saber ler)
e da brinquedoteca
(porque ali sei o que fazer...)

se eu fosse fotógrafa
fotografaria as árvores do horto
- enormes -


os bancos com cara de sapo e coruja



da casa da vó Lídia
vejo o morro verde que tem uma árvore branca
nem penso em ir até lá
mas faz bem olhar


gosto de Alumínio
porque é o meu lugar
sou feliz aqui
sou feliz assim
e lá-ra-ra-ra-rá.

30.03.2009

domingo, 31 de maio de 2009

COMO UM PREFÁCIO

Em dias incertos, fico sem carro e preciso sair e voltar para casa a pé. É demorado e, às vezes, a carga é pesada. A demora em chegar em casa também se deve ao fato de encontrrar muita gente pelo caminho. Gente que há tempo não via, com quem não conversava. Gente querida. É uma festa! E a triste constatação do distanciamento involuntário que o trabalho e o mundo moderno produzem. Daí surgiu a ideia de criar uma conta no Orkut. Um lugar para reunir os amigos, falar e interagir com eles. Posso dizer, de certa forma, que entrei no Orkut "para andar a pé". Como numa esquina qualquer, por vezes me surpreendo ao encontrar aquele cara que não sabia por onde andava, o que fazia. E ele traz "debaixo do braço" seu álbum de fotos, algumas cartas e me mostra com quem tem convivido, o que tem lhe dado mais alegrias. E trocamos informações e lembranças. (É certo que também, como numa avenida qualquer, vejo passar no Orkut muita gente desconhecida. Às vezes nos esbarramos, nos cumprimentamos, mas é bom estar atento. Nunca se sabe...). Mas agora resolvi mostrar aos amigos novamente reunidos mais do que fotos. Então criei este blog. É o meu livro de poesias, crônicas e outras coisas que gosto de escrever. Está na mesinha de centro ou na estante da sala virtual. Estejam à vontade. Espero que gostem. Se não gostarem, é só fechar o livro, e vamos mudar de assunto.

sábado, 30 de maio de 2009

trova: ANTES DE ENTRAR


Rubens Antônio da Silva

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Antes de entrar num lugar
(escute bem o que digo),
se lembre de questionar
se Deus entrará consigo.

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Ilustração: Sem Título (2003), óleo sobre tela com textura de Rafael Miranda. Foto: Jaqueline Maciulevicius.


segunda-feira, 7 de julho de 2003

percepções / Império

Rubens Oficial
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os brasileiros admiram os americanos
lêem seus livros
vêem seus filmes
ouvem suas canções
vestem sua língua e sua bandeira

os americanos também admiram os americanos
lêem seus livros
vêem seus filmes
ouvem suas canções
vestem sua língua e sua bandeira

Tatuí, 2003

insegurança


tenho medo de teus olhos
tenho medo de teus olhos
que lêem, relêem
lêem, relêem
como um punhal
que penetra até os ossos das palavras
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Tatuí, 2003

terça-feira, 1 de setembro de 1998

cata-frases | Rubens Ricúpero / FHC

“No fundo é isso mesmo. Eu não tenho escrúpulos! Eu acho que é isso mesmo, o que é bom a gente fatura, o que é ruim a gente esconde!… ” 

— Rubens Ricupero, no dia 1º de setembro, nos estúdios de Brasília, extraído do sinal aberto da TV Globo, disponível no YouTube. 

“… um momento de fraqueza me levou a dizer palavras que não refletem o que penso, nem o que sinto… ” 

— Rubens Ricupero, no dia 6 de setembro, ao deixar o Ministério da Fazenda , Jornal Nacional, TV Globo. 

“… A queda do Ministro Ricupero traz ao país inteiro a preocupação com o futuro do Real […] É preciso que todos os brasileiros se juntem para garantir o Real…” 

— FHC, Campanha eleitoral de 6 de setembro, no rádio e televisão. 

segunda-feira, 8 de julho de 1996

percepções / x-poesia

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Dê poesia
para quem tem fome.
Dê poesia.
.
Dê poesia
para quem tem fome
de poesia.

Tatuí, 1996. Outras mídias: Dias de Poesia.

sexta-feira, 7 de julho de 1995

ansiedade

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o mundo é pequeno
e tão cheio de gente
a cabeça é pequena
e tão cheia de ideias
a vontade é tão grande
mas pequeno o efeito
a cabeça é final
mas os pés são começo
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1995, Tatuí

domingo, 12 de março de 1995

domingo, 31 de outubro de 1993

Na sala dos Oficiais de Justiça no antigo fórum de Tatuí

A colega Vilma Domingues Albuquerque Bueno fez esta foto na antiga sala dos oficiais de justiça do antigo fórum de Tatuí, na Rua São Bento, 808. Não há data. Escaneei e postei aqui como se fosse em 1993, uma data aproximada. Como se pode ver, não existia computador no fórum.

domingo, 5 de agosto de 1990

A Vida Voa

Rubens Oficial
letra e música


I

A vida voa
na asa do tempo,
A vida boa,
folhas ao vento...

A via soa
no firmamento.
A vida ecoa
no pensamento.

A vida boa o vento levou.
Voa o vento, o tempo voa,
a vida boa não voltou.


II

A vida à toa,
oca de intento,
a vida é proa
no mar imenso.

A vida boa
no cata-vento
jamais enjoa.
É sentimento.

A vida boa o vento levou.
Voa o vento, o tempo voa,
a vida boa já voltou.

quarta-feira, 7 de dezembro de 1988

terça-feira, 1 de novembro de 1988

árvore triste

árvore triste,
galhos tortuosos
procurando o chão,
peso dos frutos?

debruça, cabisbaixa,
ignorando os passarinhos

mas à tarde ela se agita
à espera dos meninos pobres da vila
que com ela vêm brincar.

Boituva, 1988

terça-feira, 26 de julho de 1988

quinta-feira, 7 de julho de 1988

testamento

Quando meu corpo se tornar imprestável
e meu espírito de enfado repousar,
não quero alucinações nem desmaios.
Se fui bom, aperfeiçoa.
se mal, lamenta,
que para perdoar já será tarde.
Quando meu fôlego for suprimido,
rasga meus versos vadios.
Guarda somente aqueles que talvez possam inspirar bondade.
Esses, se achares, guarda-os
como se fossem minha voz
reproduzida
por ecos contínuos
entre as quatro margens do papel.

Boituva, 1988

os óculos de minha avó


Os óculos de minha avó
ficaram sobre o criado. Mudos.
Nunca mais verão os olhos
cansados de minha avó.
Mas quem os vê
pode ainda contemplar neles
o último olhar do adeus de minha avó.
- Me perdoe, qualquer coisa.
- Cuide bem do Vicentinho.
Aquele olhar de santa
ficou parado,
indiferente ao tempo,
para sempre gravado
nas lentes grossas
dos óculos de minha avó.
Sobre o criado.
Mudo.

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Tatuí, 1988. Outras mídias: O Progresso de Tatuí (1993); Noite e Poesia de Tatuí (2000); Letras do Novo Milênio (RJ, 2001); Dias de Poesia (Itapetininga).

Da África Amiga


Da África amiga, eu era a alma.
Do chão da pátria, o senhor.
Nos meus braços estavam
as esperanças de minha terra
e a certeza de minha raça.
Mas, da maldade, fui presa.
De brutalidades, a vítima.
- De meu povo fui sequestrado.
Do navio imundo, fui o lastro.
Dos cruéis, mercadoria, moeda maldita.

Enterraram viva a minha consciência.
Enterraram viva a minha fé.
Enterraram vivo o meu destino.
Viva, enterraram a minha liberdade.
O fruto do meu trabalho
era doce na boca do meu senhor,
mas amargo no meu coração.
- Para mim, não era a estação dos frutos.

Princesa Isabel...
Liberdade me deram para sofrer.
Liberdade me deram para morrer.
Liberdade me deram para não ser
cidadão, proprietário, semelhante.

Fui vender doces, fazer balaios
ou me empregar na fazenda dos cruéis,
para não morrer de fome;
para não roubar, se possível.

Do Brasil fui a ralé.
Deste chão, erva maldita.
Não me aceitou gente de bem,
como se eu fosse o bandido da história.

Da chibata, desci à sepultura,
mas revivi no sangue de meus filhos.
E hoje caminho no porão imundo
do grande navio social.
Não sou escravo, sou escória.
Não sou sujeito, sou suspeito.
Navegando...na calmaria.
Lançado ao mar... na tempestade humana
que não procurei.



Tatuí, 1988. Outras mídias: Jornal "O Tatuiano", coluna "Relevos", de Odimar Martins, 14/05/1998; Prêmios: Fepoc (Cerquilho/SP, 1999), Prêmio Unimed (Tatuí/SP).

percepções / InDependência


dependency
independência

dependency
independência

dependency
independência

dependency
independência

dependency
independência
Tatuí, 1988

o sapo

Sentinela petrificada,
robusto, altivo, solerte,
está o sapo na calçada
como a matéria inerte.

Olhos grandes, dois botões
no ápice do corpo ereto,
perscrutam aproximações
descuidadas de insetos.

E, como se um gatilho disparasse,
a lingua do sapo dispara,
longa, lépida. Como num passe
de mágica, arrebatara 

uma mosca, mariposa...
Depois se ajeita, saltitando
levemente, sem ruído, e posa
novamente, inerte, disfarçando.

Boituva, 1988

CREAÇÃO

Luz. Calor. O sol!
Nem mesmo o destino a esmo
faz um arrebol.


Tatuí, 1988

LUZ DO CORPO

Olho: luz do corpo.
Se teus olhos forem maus,
que caminho torto!

CA-BELOS

Os teus cabelos,
menina linda,
deixa crescê-los
bem mais ainda.

trova | O peão merece respeito

O peão merece respeito
(Ouviu bem, senhor patrão?)
para poder com efeito
do suor comer seu pão.

RAZÃO PRA VIVER

Sei que não devo ser triste.
Tenho razão pra viver.
Saber que em mim Deus existe,
saber que existo em seu Ser.

trova | Deveria mais atenção

Deveria mais atenção
à criança ser dispensada.
A criança está co'a razão
da alegria tão procurada.


trova | Só o Autor de tudo tem

Só o Autor de tudo tem
o poder para criar
algo para o nosso bem
que, entretanto, é o nosso "mar".

domingo, 1 de novembro de 1987

inquietações / Canudos

Por que destruir Canudos?
As aves gorjearam fora da lei.
O sertão se atreveu a florescer.

Por que destruir Canudos?
Os homens juntaram suas fraquezas,
plantaram, colheram, edificaram,
ouviram prédicas incomuns.
Construíram um sonho,
morreram um sonho...
Não há lugar para sonhos coo esse
na noite longa do sertão.

Por que destruir Canudos?
Não sei, não sei não...
Por que não pode existir Canudos?
O sertão é tão denso.
o sertão é tão grande,
quase não se pode chegar lá.

Mas não bastou para esconder Canudos.
- O sertão se atreveu a florescer.

Boituva, 1987

terça-feira, 7 de julho de 1987

inquietações / Avencas

Rubens Oficial

Frágeis gotinhas verdes
acenos suspensos no ar,
balançam sossegadamente
como a nos ensinar
que a vida passa depressa,
mas sem pressa de passar.


Tatuí, 1987

A PAZ

Se tiveres paz,
serve-me na mesa.
O bem que me faz
paga-te a despesa

segunda-feira, 7 de julho de 1986

ANDARILHA

Rubens Oficial

Sob a chuva fria,
passou pela rua uma mulher,
com sua trouxa na cabeça,
chorando,
por não ter onde se abrigar.

Dentro de casa, observando,
alguém comenta:
- Não reclamemos da vida,
olhemos para trás e veremos muitos
que gostariam de estar em nossos lugares...

Dentro do abrigo, alguém ganhou um exemplo.
Mas, lá fora, a mulher andarilha,
que ganhou?

Boituva, 1986

VISÃO...

Rubens Oficial

Dona de casa simples,
nada mais sabe, fora de seu portão.
Operário humilde,
nada conhece, longe de suas mãos.
Pobre boia-fria
que tudo ignora, longe de seu facão.

Mas ninguém mais sabe
que a dona de casa, de sua aflição.
Mas ninguém conhece,
mais do que o operário, de seu ganha-pão.
Todos ignoram quem, na entressafra,
do boia-fria humilde, corta o feijão.

Ora, gente, quem não vê
que dos interesses nasce a visão?
Quem quiser um dia melhorar de vida
deve (ele mesmo) lutar pelo pão.

Boituva, 1986

domingo, 28 de abril de 1985

achados | Revista Interação

Fala sobre Tatuí com dados desatualizados:

"Quem for a Tatuí, uma simpática cidade de 31 mil habitantes (...) estará mergulhando no legítimo universo caipira da cultura paulista."

(revista Interação, edição nº 10, de abril de 1985, da Difusão Nacional do Livro Edit. e Imp. Ltda.)

Observação: A população de Tatuí em abril de 1985 é de mais de 60 mil habitantes.