quinta-feira, 7 de julho de 1988

os óculos de minha avó

Os óculos de minha avó
ficaram sobre o criado. Mudos.
Nunca mais verão os olhos
cansados de minha avó.
Mas quem os vê
pode ainda contemplar neles
o último olhar do adeus de minha avó.
- Me perdoe, qualquer coisa.
- Cuide bem do Vicentinho.
Aquele olhar de santa
ficou parado,
indiferente ao tempo,
para sempre gravado
nas lentes grossas
dos óculos de minha avó.
Sobre o criado.
Mudo.

.

Tatuí, 1988. Outras mídias: O Progresso de Tatuí (1993); Noite e Poesia de Tatuí (2000); Letras do Novo Milênio (RJ, 2001); Dias de Poesia (Itapetininga).

Um comentário:

  1. Lindo poema, Rubens, parabéns!
    Continue assim: os artistas são como as aves e as flores, que nasceram para encantar o mundo!
    José Ortiz Neto
    Jornal STOP

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