sexta-feira, 21 de agosto de 2009

O BICHO

Rubens Antônio da Silva
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A menina brincava silenciosamente no sofá, quando a mãe se aproxima, com os cabelos sobre a face, faz uma careta, engrossa a voz e aproximando-se do rosto da pequena de apenas três anos, diz em tom ameaçador: - É o bicho!!!


Gabrielly, de pronto, lavanta a mãozinha e bate na cara da mãe, que, surpreendida, reclama:
- Gaby!!!
Notando o semblante da mãe, agora normalizado, pergunta:
-É a mamãe, agora?
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ENTREGA DO PRÊMIO PAULO SETÚBAL

Nesta sexta-feira, dia 21, às 19h, no Centro Cultural Municipal, acontecerá a Cerimônia de Entrega de Prêmios do Concurso Paulo Setúbal. Nesse evento os vencedores do 8º Concurso Paulo Setúbal - de Literatura e Artes Visuais - onde participaram os alunos da rede municipal, estadual e particular de ensino de Tatuí, com 212 inscrições, e que desenvolveram trabalhos inspirados no livro “A Marquesa de Santos” - receberão os troféus e as devidas condecorações. O mesmo acontecerá com os vencedores do 7º Prêmio Paulo Setúbal - Contos, Crônicas e Poesias - que com tema livre, recebeu 96 inscrições de todo território nacional. Pelo 7º Prêmio Paulo Setúbal - Contos, Crônicas e Poesias, o ganhador do primeiro lugar de cada modalidade receberá diploma e R$ 800 em dinheiro; o segundo lugar também levará diploma, e R$ 500; já o terceiro lugar será contemplado com diploma e R$ 400. Os do Concurso levam certificado e prêmio de R$ 500 (primeiro lugar), certificado e R$ 300 (segundo) e certificado e R$ 200 (terceiro). Os vencedores são, na modalidade Conto: Benedito José Almeida Falcão (primeiro lugar), com o trabalho “Um Presente para Ernesto Martins”; Ana Valéria Campos de Almeida Pereira (em segundo), com “O Casarão”; e Vanessa de Fátima Olivier (terceiro), com a obra “A Cor do Sorriso”. Na mesma modalidade, foram concedidas menções honrosas a Ana Carolina Piunti da Costa, pela obra “Solidão Acompanhada”; André Kaires, com “Quando Tudo Acaba”; Elisabeth Maria Winzirl Tafuri, “Quem se Lembra Levante a Mão...”; e André Lima Ferreira, “O Coração é Um Caçador Solitário”. Na modalidade Crônica, os ganhadores são: Dulce Ana da Silva Fernandes (em primeiro), com a obra “É Conversa Fiada?”; Ana Valéria Campos de Almeida Pereira (segundo), com “Nas Águas de um Rio”; e Rubens Antônio da Silva (terceiro), com “O Cachorro no Muro”. As menções honrosas foram para: André Kaires, pela obra “Janelas”; André Lima Ferreira, “É Melhor Ser Alegre que Ser Triste”; Benedito José Almeida Falcão, “O Menino da Bolha”; e Gérson Trevisan, “Cores e Flores”. Em Poesia, venceram: Odimar Justino Martins Proença - foto (em primeiro lugar), com a obra “Entre Pedras e Asas de Borboleta”; Ana Valéria Campos de Almeida Pereira (em segundo), com “Lamentações”; e Freddy Nabhan (terceiro), com “Domitila”. As menções honrosas ficaram para: José Geraldo Fogaça de Almeida, com “Rabiscos Poéticos”; Maria Elisa Machado de Almeida, “Tu, Poeta”; e Dulce Ana da Silva Fernandes, “Epitáfio”. Pelo 8º Concurso Paulo Setúbal - de Literatura e Artes Visuais, em Artes Visuais, os vencedores foram: Lucas Leme de Santana, aluno do 4º ano da escola “Accácio Vieira de Camargo”; Stéfani de Jesus Bernardes, estudante do 5º ano da escola “Teresinha Vieira de Camargo Barros”; e Ana Cristina de Mello, também estudante do 5º ano da mesma escola. As menções honrosas foram concedidas a Jonatas Santos Oliveira, aluno do 5º ano da escola “Eugênio Santos”; Gabriele Camargo Teles, estudante do 4º ano da escola “Accácio”; e Laura Muzel Martos, estudante do 5º ano da escola “Teresinha Vieira de Camargo Barros”. Na modalidade Literatura, Ensino Fundamental, o júri escolheu Melissa Amantina Yuka Mori, do 8º ano do Colégio Bem-Me-Quer/Positivo; Bruna Maeli Antunes da Silva, do 8º ano do Colégio Adventista; Letícia Camargo Coelho, do 8º ano do Bem-Me-Quer/Positivo. Ganhou menção honrosa Bárbara Nunes, do 8º ano do Bem-Me-Quer/Positivo. Os vencedores, pela mesma modalidade, do Ensino Médio, são: Ana Beatriz Catel, com a obra “Fascinação”, aluna do 1º ano do “Adventista”; Thais Cristina de Oliveira, estudante do 1º ano da Escola Estadual “Ary de Almeida Sinisgalli”, com o texto “A Festa na Chácara de Mataporcos”; e Carolina Pereira de Quevedo, do 2º ano do Colégio Ideal, com “Nossa Riqueza e Nossas Histórias”.
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Foto: Odimar Martins,vencedor da categoria Poesia pelo segundo ano consecutivo.
Fonte: Portal da Prefeitura de Tatuí.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

crônica: O BÊBADO E A MARIA DA PENHA

Rubens Antônio da Silva

O que aconteceu foi mais ou menos assim. O marido bebeu além da conta. Chegou em casa bancando o valente. A mulher, deficiente de uma perna, ficou perturbada em sua cadeira de rodas. Sabia que ele ficava assim quando bebia. Mas agora ele estava exaltado demais. O netinho pequeno e filha da vizinha ali presentes ficaram um tanto assustados. E o homem gritava, batia na parede, batia nos móveis, quebrava pratos. “Hoje eu mato alguém”, bradava. “E é você, mulher!”. Olhava pra ela e se apoiava na parede, as pupilas dilatadas. “Chamem a Polícia, senão vou matar você. Com oitenta facadas. Oitenta facadas! Chamem a Polícia!”, ele mesmo rosnava assim, cambaleando. “Eu pego essa mulher, eu enforco ela. Eu pego, eu enforco. Chamem a Polícia!” A mulher perdeu a paciência: “chamem a Polícia!”, pediu. Alguém chamou. O bebum ainda repetia aquelas mesmas palavras quando o carro policial parou à frente da casa. Prisão em flagrante. A Cadeia de Porangaba deixou más lembranças.

O Ministério Público manifestou dizendo que o homem poderia responder em liberdade, sem pagamento de fiança. Não tinha antecedentes. O magistrado deferiu. O homem foi solto. Em vez de mantê-lo recolhido, o juiz determinou que ele posto pra fora... até de sua casa. Medida Protetiva da mulher: artigo 22 da Lei Maria da Penha. Estava proibido de voltar para casa e de se aproximar da família.

Chegou o Oficial de Justiça. A mulher atende, manejando sua cadeira de rodas. “Afastamento do lar? Não. Deixa ele ficar. Ele é um homem bom, trabalhador, é que estava bêbado. São, não tem marido melhor. E ele prometeu que não bebe mais. Ele não tem para onde ir. Ele vai ficar triste.”

Não teve jeito. A lei determina. O Juiz manda. O Oficial cumpre. Foi para a casa da filha casada.
A mulher enfim concordou: ele precisava mesmo levar de um susto.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

ÁGUA

Rubens Antônio da Silva
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Uma criança de sete anos sabe muita coisa... O pai, ao verificar a falta de água mineral no pote, pede ao menino:


- Filho, ligue e peça um galão de água.
Mas uma criança de sete anos não sabe tudo.
O menino consulta o índice telefônico e liga:
-É da Sabesp?...
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terça-feira, 11 de agosto de 2009

biografia: Quem foi Paulo Setúbal


Paulo de Oliveira Setúbal foi um escritor brasileiro nascido em Tatuí no dia 1º de janeiro de 1893 e falecido na capital paulista em 4 de maio de 1937. Foi advogado, promotor de justiça, deputado duas vezes e escritor, tendo também exercido o cargo de professor no Ginásio Arquidiocesano e na Escola de Comércio do Bras.

Iniciou seus estudos com um professor particular, Francisco Evangelista Pereira de Almeida, o Chico Pereira, transferindo-se depois para o Grupo Escolar de Tatuhy, hoje a Escola João Florêncio. Indo sua família para São Paulo, matriculou-se no Ginásio do Carmo, dirigido pelos irmãos Maristas. Em 1910, presta exame e ingressa no segundo ano da Faculdade de Direito de São Paulo, bacharelando-se em 1914.

Abandonando a advocacia e a política, dedicou-se inteiramente às letras. Sua estreia, em 1920, com o livro de poesias Alma Cabocla, foi estrondoso. A tiragem incomum de 3.000 exemplares, que a Revista do Brasil editou, esgotou-se em menos de um mês. Porém seu maior sucesso aconteceu em 1925, com o romance A Marquesa de Santos, que alcançou grandes tiragens, adaptação para o cinema e a televisão, e tradução para o inglês (EUA), francês, alemão, russo, espanhol, croata e árabe. O escritor brasileiro mais lido de seu tempo.

Foi membro da Academia Brasileira de Letras, Academia Paulista de Letras, Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, Instituto Histórico e Geográfico de Ouro Preto e do Instituto Histórico e Arqueológico de Pernambuco.

achados: AO POVO DE MINHA TERRA - Paulo Setúbal

Estou muito orgulhoso de ver em todos os jornais do Brasil, o meu nome ao lado do nome de Tatuhy.

Muito pouco tenho feito na minha pobre carreira literária. Se esse pouco, no entanto, servir para projetar um raio de luz sobre minha terra, que sempre estremeci, dar-me-ei por pago das minhas canseiras através de arquivos e alfarrábios.

Viva Tatuhy!

(a) Paulo Setúbal

(Saudação de Paulo Setúbal ao povo de Tatuí, através do jornal O Progresso de Tatuí, em 16 de dezembro de 1934, quando de sua eleição para a Academia Brasileira de Letras.)

Fonte: Renato Ferreira de Camargo, in Memórias de Tatuí.

domingo, 9 de agosto de 2009

Tatuí: CASA DE PAULO SETÚBAL: 5 bibliotecas.


A Casa de Cultura Paulo Setúbal é um dos principais símbolos da cidade. Prédio antigo que serviu de cadeia e sede do Poder Judiciário, abriga o Museu Histórico de Tatuí e um auditório. Até há pouco tempo mantinha a grade de uma das celas, a última. Infelizmente, acabou sendo retirada. A sala de Paulo Setúbal exibe peças pessoais do escritor como o fardão da Academia Brasileira de Letras, sua maleta personalizada, cartões de visita e livros com sua dedicatória. Eu mesmo doei ao Museu um livro com a grafia dele. A maioria das peças históricas de Tatuí foram guardadas para mostrar um museu mais literário. Ficou bom, mas a história da cidade precisa ser de exibição permanente, eu acho. Ali vi trabalhar Hélio Reali, Sansão, Crispim, Macedo Dantas, Zuma Salati Visciglia, Leila Salum Menezes da Silva, entre outros. Uma curiosidade: a Casa de Cultura tem o acervo de cinco bibliotecas. Uma antiga, uma mais moderna doada pelo Estado (esta tem uma história, pois veio a substituir uma anterior, muito valiosa, que a secretaria estadual pediu de volta), depois veio a do escritor tatuiano Raul de Polilo, doada pela família após sua morte; a de Maurício Loureiro Gama, que doou em vida; e por fim a do filósofo Walter Silveira das Mota, que manifestou o desejo de fosse doada após sua morte. Estas três bibliotecas vieram acompanhadas de peças pessoais de seus donos, que passaram a fazer parte de nosso museu. Hoje, o Museu está novamente em reforma. É o prédio histórico mais bem conservado da cidade.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

crônica: O CACHORRO NO MURO

Rubens Antônio da Silva
Imagino que o dono tenha saído às pressas. Não deve ter notado que seu cãozinho de estimação fugira sorrateiramente ao abrir do portão. Certo é que, quando passávamos pela avenida, presenciamos aquela cena digna de aparecer na televisão: um cão entalado numa fresta de muro, remexendo o traseiro, já cansado, na tentativa de voltar para casa ou retornar à rua. As pessoas que chegavam iam se alarmando com tão insólita imagem. Ninguém queria por a mão. O animal não era tão pequeno assim, nunca se sabe. Há cães agressivos por aí. Calmo é que ele não deveria estar naquela situação.

É preciso tomar cuidado com a guarda dos animais, assim como de instrumentos contundentes, produtos químicos... E também trancar nossa cólera, a inveja, os instintos maldosos...

Resolvemos chamar um vizinho, alguém que conhecesse o animal, soubesse seu nome, enfim... É preciso resolver os problemas, delegar funções.

E a primeira pessoa que nos atendeu, um velhinho, se dispôs a socorrer o animal. A criatura era dócil, dizia ele. Era acostumado a roçar-lhe o pelo com as mãos, a falar com ele, se entendiam bem. O homem sacou o cachorro na altura das costelas e puxou-o para fora, depositando-o rapidamente no chão. Um belo vira-lata, que saiu lépido, sem agradecer. Parece que nem reconheceu o amigo que o salvara. Era um cão: um homem deve ser sempre agradecido àqueles que, de uma forma ou de outra, os livram dos apertos do dia-a-dia.

Parecia tudo resolvido. Entramos na casa de uns parentes ali nas proximidades já com assunto para conversar. Cumprimentos, afagos, recepção calorosa. Mas não demorou muito e eis um novo alvoroço na rua. Saímos apressados e curiosos, o que seria desta vez? Não era outra coisa senão o cachorro novamente entalado no buraco do muro, arranhando o reboco no ímpeto de se lançar para dentro da casa. Saímos todos para a via pública, agora mais risonhos que preocupados. Algumas crianças já haviam chamado aquele prestativo senhor, que agora vinha mal humorado, xingando o cão, maldizendo o dono. O que dizer de um animal de estimação sem o direito de ir e vir? Fosse gente, diríamos que às vezes é necessário desistir de nossos sonhos, sim. Mas, com referência ao buraco no muro, mal comparando, seria como convidar um amigo para o almoço e sair de casa, ou coisa assim. Sim, o buraco no muro era um convite ao cão. É preciso tapar os buracos que insinuam mas não deixam entrar, os convites vazios.

O homem sacou o cão, desta vez de má vontade, e o lançou violentamente ao chão. Por que maltratar o animal? Não precisava. Nós também fazemos coisas parecidas, só que com menos justificativas.

3º. lugar no 7º. Concurso Paulo Setúbal - Crônicas (2009), promovido pela Secretaria da Cultura de Tatuí.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

MAQUIAGEM

A mulher aproxima a face do espelho e retoca a maquiagem.
- Tia, por que você pinta o rosto?
Ela olha com ternura para a criança e responde:
- Pra ficar bonita!
Volta ao espelho e aperta os lábios para espalhar o batom.
A menina pensa por alguns segundos e então pergunta novamente:
- E por que não fica?...