sexta-feira, 30 de janeiro de 1981

O Fundo dos Teus Olhos

.
Quantos segredos, quantos mistérios
em teus olhos, querida!
Às vezes penso que, entrando por teus olhos,
chagaria ao fundo do teu ser,
no íntimo da tua alma,
onde estás escondida de mim.
Mas tenho medo de entrar.
- São tão profundos os teus olhos!
Talvez possa me perder,
talvez não saiba voltar.

Quantos convites em teus olhos, querida!
São como a profundidade de um arranha-céu,
que nos diz: vem! vem te consumir!
Ou a profundidade do mar,
que nos diz: vem! vem se afogar em meus abraços!

Quanta alucinação em teus olhos, querida!
São como o caminho para o infinito,
para onde caminhamos, caminhamos
e nunca chegamos a lugar algum,
mas à vontade de sempre caminhar.

Mas tenho medo de entrar.
Talvez possa me perder,
talvez não saiba voltar.


Boituva, 30.01.1981

segunda-feira, 3 de novembro de 1980

no teu coração

Rubens Oficial
.
por favor, amor,
abre a gaveta
do teu coração.
vê se lá no fundo,
bem no fundo,
entre os escritos
de tua alma,
se ainda não há
uma fotografia minha.
.

Tatuí, 03.11.1980

no teu coração

Rubens Oficial
.
meu bem, por favor,
abre a gaveta
do teu coração.
vê se lá no fundo,
bem no fundo,
entre os escritos
de tua alma,
se ainda não há
uma fotografia minha.
.

Tatuí, 03.11.1980

segunda-feira, 29 de setembro de 1980

Emílio Santiago

Durante o período em que trabalhei no jornal O Progresso de Tatuí, tive oportunidade de entrevistar o cantor Emílio Santiago, num restaurante que existia na esquina da Rua Maneco Pereira com a Coronel Aureliano e Praça Paulo Setúbal. Uma das melhores vozes do cancioneiro brasileiro.

segunda-feira, 28 de julho de 1980

achados | Música cristã de autor desconhecido


NÃO DESANIMES

Não desanimes nesta prova em que estás.
Deus te promete, hoje mesmo, te ajudar.
Enviará do alto o Consolador
e mostrará o quanto é grande o Seu amor.


CORO: 
Segue avante, irmão!
Segue avante, irmão!
Não deves por o coração
neste mundo de ilusão.

Pois tudo isto aqui no mundo ficará.
Pois estas coisas lá no céu não entrarão.
Só entrarão os que amarem o Senhor.
Contemplarás a face do teu Redentor.


CORO

E quando aqui a tua luta terminar
e, deste mundo, tu cansado de lutar,
então irás para os braços do Senhor
e, então no céu, não terás pranto nem mais dor.


CORO



(Hino popular ouvido em Boituva/SP na década de 1980.)

domingo, 27 de julho de 1980

namoradinha

Minha namorada é pequenina,
bonitinha que... só vendo!
Tem uma boquinha delicada e doce
e suaves são suas palavras de amor.
Parece que traz o coração aos lábios.
Tem os olhos tão profundos,
como profundo é o mar da paixão.
Seus seios arfam, suspirando,
como se buscasse bem no fundo
e trouxesse para mim o seu coração.
- Parece que traz o coração aos lábios.

Minha namorada é para mim um lenitivo,
me suaviza o caminho, despedindo
toda tristeza e tornando mais doces
minhas alegrias.
Ela é minha companheira.
Faz parte de mim.
Sua foto, junto à minha,
guardo numa carteirinha
verde de esperança.


Tatuí, 27.07.1980

sábado, 26 de julho de 1980

na-morada


quando foste
na morada minha,
ainda não eras
namorada minha.
hoje és minha,
toda minha,
na-morada
do meu coração.

Tatuí, 1980. Outras mídias: O Progresso de Tatuí (1980) / Murmúrios do Coração (1981) / Folha de S. Paulo (1981) 

luz alta

nas curvas do amor,
bem lá, onde
a razão se perde
e o coração nos trai,
a luz alta
de teus olhos
cegou os meus.
.

Tatuí, 1980

preservação

.
queria preservar
o verde de teus olhos
junto a mim,
não pude...
.
- como é árido
o teu coração!

Tatuí, 1980

terça-feira, 8 de julho de 1980

recepção

Rubens Oficial
.
menina linda,
seja bem-vinda
ao meu coração.
.
- o amor
está à porta!...
.

Tatuí, 08.07.1980

segunda-feira, 7 de julho de 1980

na-morada

Rubens Oficial
quando foste
na morada minha,
ainda não eras
namorada minha.
hoje és minha,
toda minha,
na-morada
do meu coração.




Tatuí, 1980

luz alta

Rubens Oficial
.




nas curvas do amor,

bem lá, onde
a razão se perde
e o coração nos trai,
a luz alta
de teus olhos
cegou os meus.
.

Tatuí, 1980

crase


somos dois as
unidos pela crase.
entre nós não pode
haver separação.
és para mim
um artigo definido.
na tua vida,
sou a preposição.

.
Tatuí, 1980. Outras mídias: jornal O Progresso de Tatuí  (1980) / livro Murmúrios do Coração (1981) / jornal Diário de Sorocaba (1981) / jornal Aparecida do Sul (Itapetininga-SP, 1981) / livro Dias de Poesia / blog Clube da Crase (2010)  / livro didático Entre Linhas e Pontos 1 (1913).

preservação

Rubens Oficial
.
queria preservar
o verde de teus olhos
junto a mim,
não pude...
.
- como é árido
o teu coração!


Tatuí, 1980

ABORTO

rubens oficial

um ser pequenino
na palma da mão
quis ser um menino
morreu embrião

Tatuí

quinta-feira, 12 de junho de 1980

parafuso

.
como parafuso,
em tua vida
penetrei.
.
tonto, confuso,
achar a saída
não sei.
.

Tatuí, 12.06.1980

domingo, 27 de abril de 1980

coração

Sinto um vazio em mim.
Um vazio de você.
Como é difícil
essa distância!
É como se em mim
faltasse um membro
- um membro ligado ao coração.
Por mais que eu ordene
- vai, coração, vai! -
não adianta.
Está está estagnado,
não caminha.
- Prostrou-se aos teus pés.
Você surgiu como uma venda,
não me deixa ver além de você.
Parece que tudo, tudo
se concentrou em você.
Mas de que adianta,
Se não me amas?
E eu queria todo o seu amor,
não parte dele.
Dessa forma, você se cansaria de mim,
alguém que não é tudo.
Por isso, então, eu grito:
Vai, coração, vai!


Tatuí, 27.04.1980

terça-feira, 5 de fevereiro de 1980

roubo

Rubens Oficial
.
maria,
meu amor,
é uma ladra.
.
maria,
por favor,
ouça calada.

maria,
o seu amor
não é só seu.
.
maria,
não me roube
o que é meu.




Boituva, 05.02.1980 
.

sábado, 19 de janeiro de 1980

amor...

Faz alguns meses apenas
que nos encontramos na praça
e você, um tanto sem graça,
até se esqueceu das cenas.

Foi algo sem esperar,
como há tantos iguais.
Eu via em você nada mais
que amiga de conversar.

Mas, quem me vê e me viu,
não sou o daquele dia,
pois o amor (não previa)
nasceu, cresceu e evoluiu.

Você, tão linda e querida,
foi-me bondosa e sincera,
o que, hoje confesso, era
a alegria da minha vida.

O tempo assim foi passando,
o amor em mim foi crescendo,
mas logo fui percebendo:
- você não me estava amando.

Não sei se foi um castigo,
mas o amor que tanto esperava
de você um dia estava
nos braços de meu amigo.


Tatuí, 19.01.1980

quarta-feira, 5 de setembro de 1979

tua ausência

Desde aquele beijo
que me deste sem motivo,
a tua ausência ao meu lado
é como um vácuo em meu ser.
Parece que meu brinquedo
caiu no quintal do vizinho.
Um amor que nasceu tarde, 
justamente na hora do adeus.

Desde aquele sorriso,
intraduzível, artesanado
por um coração desconhecido,
a tua ausência ao meu lado
é como a vida distante.
É como a ventura nos ares
soprados por um tufão.

Desde aquele abraço
acorrentado ao meu pescoço,
me sinto prisioneiro.
E você é a minha liberdade.


Tatuí, 05.09.1979

sábado, 7 de julho de 1979

sob medida

Quando surgiste em minha vida,
me parecias uma encomenda.
Eras exatamente do número
do meu coração.
Te aconcheguei à minha alma
e fui feliz.
Eras a menina do dedo verde,
que enchia de flores os meus caminhos.

Passaram-se dias de triunfo.
Durante um ano,
foste para mim um anel de grau.
E me senti bacharel em matéria de amor.

Mas, passaram-se os dias!
E partiste como uma mensageira
que cumpriu sua missão.
Serena e sem vacilar.
Como surgiste, sorrindo te vi na despedida.

E agora?
Outra pessoa calejará meu coração.
Sei que não serei mais feliz.

- Em matéria de amor não conquistei licenciatura plena.


Tatuí, 1979

um momento


Dos teus cabelos negros
fizeste uma moldura.
Teus lábios cor-de-rosa
se abriram em botão.
E teus olhos malandros,
revestidos de ternura,
brilharam em tua face
como a estrela na amplidão.
Um sussurrar baixinho
me sopraste ao ouvido.
São coisas tão pequenas
como a brisa da manhã,
mas faz um bem pra gente,
nos embala e, comovido,
respondi à tua graça
qual se fosse à minha irmã.
Aquele teu sorriso
com capricho preparado
me encheu todo de pejo
e em tua face vi rubor.
Porém falou mais forte
quando me serviste um beijo.
Bem vi que aquilo tudo,
aquilo tudo era amor.

Tatuí, 1979

1979

Rubens Oficial

Por que choras,
ó, criança?
Por que choras
no teu ano?

- É que minha
esperança
transformou-se
em desengano.

Cerquilho, 1979

sexta-feira, 7 de julho de 1978

distância

Tu vives em mim
como um guardião,
no meu pensamento,
no meu coração.

Estando feliz,
te vejo ao meu lado.
Ao não te encontrar,
me ponho calado.

Por todo lugar
teus passos busquei,
porém foi tão triste
quando eu te encontrei.

Ao ver-te sorrindo,
não pude sonhar,
pois só vi distância
em teu lindo olhar.


Tatuí, 1978

SEM INSPIRAÇÃO


Rubens Oficial

Quero escrever de meus sonhos,
mas falta-me a inspiração.
Eles estão aqui dentro do peito,
mas, por mais que volva as ideias
e os pensamentos derrame,
não escrevo uma palavra sequer
que diga o que sinto.

Quero escrever de meus sonhos,
mas não consigo revivê-los.
Uma palavra, talvez,
me abriria o horizonte.
Mas ela não sai.

Num último esforço,
escrevo somente
este poema sem inspiração.

Tatuí, 1978

ANOTAÇÃO

Rubens Oficial

Buscar a poesia
na falha do esboço,
no céu refletido
no fundo do poço,
em cima do teto,
debaixo do pé,
no caminho estreito
ou na marcha-a-ré.

Nem tente buscar
no luzir em vão
das joias das moças,
em exposição.
A poesia está
atrás da retina
dos olhos cansados
da moça granfina.

Tentar o possível,
tentar retirar
algum sentimento,
sem desanimar.
Poesia profunda,
o poema perfeito,
vai sempre viver
no fundo do peito.

Tatuí, 1978

menina do meu bairro



Menina pobre do meu bairro triste,
quanta ternura existe em teu olhar!
Não chores mais a pena de viver,
pois em teu ser eu quero me abrigar.

Não chores o zombar da sociedade,
pois a maldade existe em cada ser.
Olha, olha para o alto firmamento.
Contempla as estrelas do anoitecer.

Elas são tão humildes como tu.
Não desfaças, não desfaças a trança.
Não altere o rosado de teu rosto.
Não percas, não percas a esperança.

Menina triste do meu bairro pobre,
que chora o zombar da vil sociedade.
Não, não deixes este teu caminho
pra que não venhas a sentir saudade.

Antes chama, chama por teu amado.
Mas bem baixinho,bem baixinho, assim.
Se me achares num cantinho calado,
chama baixinho, mas chama por mim.

Tatuí, 1978

...CRIANÇA


A luz é o meu sorriso aceso.
O berço, meu pequeno império.
Não me interessa a inflação:
sou criança com vontade de brincar.

O mar é o meu melhor amigo.
O céu, o meu paraíso.
Não me interessa a poluição:
sou criança com vontade de sonhar.

Meu pai é o meu braço forte.
Minha mãe, o meu anjo lindo.
Não me interessa o divórcio:
sou criança com vontade de sorrir.

O mundo é o meu campo aberto.
A vida, o meu tempo infinito.
Não me interessa o jogo duro:
sou criança com vontade de viver.


Tatuí, 1978

CARNAVAL

É carnaval! Tempo da carne,
tempo do sangue, tempo do mal.
Carnaval das mulheres loucas.
Carnaval dos homens passados.
Carnaval do filho pródigo.
Carnaval dos corpos usados.
É tempo da alma calada
e do coração sepultado.
É tempo de homens e mulheres
perdidos, os corpos usados...
É carnaval! Tempo da carne,
tempo do sangue, tempo do mal.
Mas, quando chegar o dia
do último juizado,
virá o arrependimento.
Os tempos serão passados.
Feliz será aquele
que neste tempo malvado
viver firme na realidade
e da folia apartado.


Tatuí, 1978

COMPLEXO

Rubens Oficial


Bem sei que não pode
me compreender
por que sou tão triste
e não sei sorrir.

Bem sei que não pode,
não pode me ver
no canto sombrio,
atrás de você.

Seu riso é tão alto,
tão triste o meu ser.
Não há comunhão
entre eu e você.

Só peço uma coisa
ao seu coração:
embora pequeno,
me faça um irmão.


Tatuí, 1978

conselho de mãe

Caminha, meu filho,
sem medo da vida
que tua querida
mamãe te olhará.
Se algum empecilho
travar os teus passos,
dos males do laço
socorro terás.

Caminha, meu filho,
com fé na vitória,
que um grito de glória
te vem coroar.
Não deixes que o brilho
reinando contigo,
despreze o amigo
que quer te abraçar.

Procura amizade,
meu filho amado,
não deixes de lado
a quem te quer bem.
Se alguém, pela idade,
já não mais promete,
meu filho, merece
carinho também.

Caminha, meu filho,
de cabeça erguida,
que tua querida
te quer grande e forte.
Se algum desafeto
te vier a enfrentar,
viver é lutar
sem medo da morte.

Sê sempre prudente
nos teus afazeres,
cumprir os deveres
com dedicação.
Pra que dessa gente,
ao te ver passar,
ouvir murmurar:
- é bom coração.

Estejas atento
na festa e na dor.
Demonstra o valor
do bem - retidão.
Virá como vento
alguém te querer,
só deves temer
a vil escravidão.

Se abandonares
as minhas palavras
(que dor que me lavras!)
será tudo em vão.
Ao não alcançares
 o teu sonho, ideal,
será teu o mal.
- Espera-te o chão.

Tatuí, 1978

quinta-feira, 26 de janeiro de 1978

Entrevista com Cunha Bueno, secretário de Estado da Cultura, na casa de Pedro Casemiro, 1980 (?)

Bi, Walter Mota, Waldomiro Bosso, Adalberto C Luz, sra. Casemiro, José Coelho de Almeida, filhos Casemiro, Edson Lopes, prefeito Itararé (em pé). Pedro Casemiro, Rubens Oficial, Cunha Bueno e Benedito Paes.

quinta-feira, 1 de dezembro de 1977

busca

Rubens Oficial

Nos momentos difíceis da vida,
procuro por ti, querida,
com mil juras de amor.
Busco tua voz que consola
e te peço, por esmola,
um beijo, por favor.

Nos momentos difíceis da vida,
quando não vejo saída,
em ti eu busco a paz.
E encontro o que preciso
em teus lábios. Teu sorriso
é o quanto me satisfaz.

Tatuí, 01.12.1977

quinta-feira, 29 de setembro de 1977

Eleazar de Carvalho

Nos tempos de estudo no Instituto de Educação Barão de Suruí, em Tatuí, eu fazia parte do coral da escola - o Orfeão Nacif Farah, sob a orientação do prof. José dos Santos. Cantávamos músicas em latim do patrono do grupo. O ponto alto de nossa curta temporada aconteceu no Centro de Convenções do Anhembi, em São Paulo, cantando junto à Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, regida pelo maestro Eleazar de Carvalho. 

quinta-feira, 7 de julho de 1977

chuva na roça

Rubens Oficial
.
Está chovendo lá fora.
Tenho saudade da auora
quente e radiante de sol.
Vejo esses pingos ligeiros
como muitos fuzileiros
castigando o meu paiol.
.
Mas, depois, como é bonito
ver se perder no infinito,
verde, a roça de feijão!
Pés de milho enfileirados
mais parecem mil soldados.
- É uma força a plantação!
.
Tatuí, 1977

terça-feira, 19 de abril de 1977

Jornal O Progresso de Tatuí - identidade

.

Minha identidade funcional do jornal O Progresso de Tatuí, de 1977. Constava como colaborador do setor de reportagem por falta de curso de jornalismo, exigência da época. Meu serviço era a reportagem e a redação. Fui sucessor de José Teixeira de Almeida, apresentado à redação pelo jornalista Walter Mota, que me conheceu pela revista Aldeia Global.

Ela é assinada por José Nascimento, diretor do jornal, que cuidava da parte administrativa. O jornalista responsável era Vicente Ortiz de Camargo, que também trabalhava no Conservatório de Tatuí. Sua mulher, Marina da Coll, era proprietária da empresa.

Lembro que ainda trabalham no jornal, nessa época, os tipógrafos José Paulo de Moraes e seu irmão João Batista de Moraes, Cassemiro Cordeiro fazia entregas. Eram colaboradores: Walter Silveira da Mota (filósofo), Hélio Reali (colunista), Macedo Dantas (escritor), Cecê César Junior (jornalista), Maurício Loureiro Gama (jornalista), Enio Teodoro Wanke (poeta), Paulo Roberto Camargo Barros (poeta), Luiz Gonzaga Oliveira (poeta), entre outros.

domingo, 17 de outubro de 1976

quarta-feira, 7 de julho de 1976

recordação

Rubens Oficial

Eram eles...
felizes no andar,
felizes no olhar...
Felizes...

Como ele...
como ela sorria!
Quem da noite fez dia,
quem viveu só de amor.

Quem os viu
sentiu, por certo,
um deserto,
um caminho incerto,
quem ciúmes não sentiu?

Eram eles...
felizes da vida bela.
Era eu e era ela
tempos atrás!...

Tatuí, 1976

A UM ANO ESCOLAR


Para a Profª Leila Salum M. da Silva


Amanhece o ano.
Cedo demais para pensar
no engano,
no desengano,
no azar.

O caminho aperta.
Tudo em vão.
Sem alerta,
não desperta.
Caminha como quem não.

Chorar, pra que chorar?
Se ao lado dos espinhos
há muito para se cantar,
há muito para se amar.
- Procura outros caminhos!

O fim do ano, ai!
Os dias se passaram. Último bimestre.
Tarde demais. O pano cai.
De quem a culpa? Perdoai.
Meus alunos!... Mestre!...


Tatuí, 1976

monossilábico | Fé


Pai,

tuas
lindas
mãos
nuas
vindas
são

do
céu
dar
pr'o
meu
lar 

paz!



(Tatuí, 1976. Outras mídias: O Progresso de Tatuí; Dias de Poesia)

terça-feira, 29 de dezembro de 1970

caderno / Ditadura

Eu era novo na escola, ainda mal alfabetizado. E a professora pede pra classe escrever sobre o tema "Brasil, ame-o ou deixe-o". Achei muito estranha essa construção. Como assim? Não entendia direito. Ela deu algumas dicas e escrevi não sei o que. Era 1968 e nós usávamos uma fita verde-amarela no bolso da camisa escolar.