terça-feira, 8 de março de 2016

Asfalto: a dor de cabeça de todos nós

Rubens Oficial

Nenhum prefeito é considerado bom enquanto as ruas da cidade estejam mal conservadas. Mas essa avaliação não é tão simples assim. É preciso analisar as circunstâncias, a situação anterior, os recursos disponíveis e eventuais incidentes.

Tatuí sofre há décadas com as ruas esburacadas. Difícil mesmo lembrar até quando a situação foi diferente. Borssato pavimentou quase todos os bairros da cidade. Porém, o asfalto não durou até o fim do seu mandato. No caso mais emblemático, o asfalto da Rua Teófilo Andrade Gama, entre o Rosa Garcia e o Santa Rita, ficou totalmente destruído, a ponto dos veículos preferirem o acostamento de terra.

A administração Gonzaga começou consertando as vias públiacas, mas não conseguiu vencer as chuvas. O problema dos buracos foi tema obrigatório nos debates na sucessão municipal de 2012. Perguntado a respeito, o candidato da situação, Luís Paulo, foi desestimulante: "Só existe um jeito, arrancar todo o asfalto, fazer drenagens e galerias em tudo para o asfalto durar". Tatuí asfaltou suas ruas sem se preocupar em fazer bocas de lobo para o escoamento das águas de chuva, e assim elas sempre vencem o pavimento.

Manu venceu o pleito e logo anunciou uma nova maneira de lidar com o piso de rolamento da cidade. A partir de então, os remendos seriam feitos como fazem as concessionárias nas rodovias. A Prefeitura contratou a Sanson para introduzir o novo sistema: o asfalto danificado é recortado, recebe massa asfáltica quente, o chamado CBUQ. Era o programa Chega de Buraco. Parecia que ia dar certo, mão não. As chuvas de verão pegaram a cidade despreparada e os muitos pequenos buracos tornaram-se grandes e profundos.

Manu reconheceu a fragilidade. Alegou que priorizou os investimentos em seus três primeiros anos de prefeito. Agora anuncia 10 milhões de reais em obras de manutenção de ruas e praças. A verdade é que, assim como Gonzaga, Manu também quis cuidar da cidade apenas com verbas conseguidas do Governo Federal. Enquanto não restaurarmos a qualidade de nossos espaços públicos e mantivermos trabalho contínuo de manutenção, não sairemos dessa situação vergonhosa.

Artigo publicado no jornal É Notícia, de Tatuí/SP, em 05/03/2016

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