terça-feira, 1 de setembro de 1998

cata-frases | Rubens Ricúpero / FHC

“No fundo é isso mesmo. Eu não tenho escrúpulos! Eu acho que é isso mesmo, o que é bom a gente fatura, o que é ruim a gente esconde!… ” 

— Rubens Ricupero, no dia 1º de setembro, nos estúdios de Brasília, extraído do sinal aberto da TV Globo, disponível no YouTube. 

“… um momento de fraqueza me levou a dizer palavras que não refletem o que penso, nem o que sinto… ” 

— Rubens Ricupero, no dia 6 de setembro, ao deixar o Ministério da Fazenda , Jornal Nacional, TV Globo. 

“… A queda do Ministro Ricupero traz ao país inteiro a preocupação com o futuro do Real […] É preciso que todos os brasileiros se juntem para garantir o Real…” 

— FHC, Campanha eleitoral de 6 de setembro, no rádio e televisão. 

segunda-feira, 8 de julho de 1996

percepções / x-poesia

.
Dê poesia
para quem tem fome.
Dê poesia.
.
Dê poesia
para quem tem fome
de poesia.

Tatuí, 1996. Outras mídias: Dias de Poesia.

sexta-feira, 7 de julho de 1995

ansiedade

.
o mundo é pequeno
e tão cheio de gente
a cabeça é pequena
e tão cheia de ideias
a vontade é tão grande
mas pequeno o efeito
a cabeça é final
mas os pés são começo
.
1995, Tatuí

domingo, 12 de março de 1995

domingo, 31 de outubro de 1993

Na sala dos Oficiais de Justiça no antigo fórum de Tatuí

A colega Vilma Domingues Albuquerque Bueno fez esta foto na antiga sala dos oficiais de justiça do antigo fórum de Tatuí, na Rua São Bento, 808. Não há data. Escaneei e postei aqui como se fosse em 1993, uma data aproximada. Como se pode ver, não existia computador no fórum.

domingo, 5 de agosto de 1990

A Vida Voa

Rubens Oficial
letra e música


I

A vida voa
na asa do tempo,
A vida boa,
folhas ao vento...

A via soa
no firmamento.
A vida ecoa
no pensamento.

A vida boa o vento levou.
Voa o vento, o tempo voa,
a vida boa não voltou.


II

A vida à toa,
oca de intento,
a vida é proa
no mar imenso.

A vida boa
no cata-vento
jamais enjoa.
É sentimento.

A vida boa o vento levou.
Voa o vento, o tempo voa,
a vida boa já voltou.

quarta-feira, 7 de dezembro de 1988

terça-feira, 1 de novembro de 1988

árvore triste

árvore triste,
galhos tortuosos
procurando o chão,
peso dos frutos?

debruça, cabisbaixa,
ignorando os passarinhos

mas à tarde ela se agita
à espera dos meninos pobres da vila
que com ela vêm brincar.

Boituva, 1988

terça-feira, 26 de julho de 1988

quinta-feira, 7 de julho de 1988

testamento

Quando meu corpo se tornar imprestável
e meu espírito de enfado repousar,
não quero alucinações nem desmaios.
Se fui bom, aperfeiçoa.
se mal, lamenta,
que para perdoar já será tarde.
Quando meu fôlego for suprimido,
rasga meus versos vadios.
Guarda somente aqueles que talvez possam inspirar bondade.
Esses, se achares, guarda-os
como se fossem minha voz
reproduzida
por ecos contínuos
entre as quatro margens do papel.

Boituva, 1988

os óculos de minha avó


Os óculos de minha avó
ficaram sobre a mesa de cabeceira.
Mudos.
Nunca mais verão os olhos
cansados de minha avó.
Mas quem os vê
pode ainda contemplar neles
o último olhar do adeus de minha avó.
- Me perdoe, qualquer coisa.
- Cuide bem do Vicentinho.
Aquele olhar de santa
ficou parado,
indiferente ao tempo,
para sempre gravado
nas lentes grossas
dos óculos de minha avó.
Sobre o criado.
Mudo.

.

Tatuí, 1988. Outras mídias: O Progresso de Tatuí (1993); Noite e Poesia de Tatuí (2000); Letras do Novo Milênio (RJ, 2001); Dias de Poesia (Itapetininga).

Da África Amiga


Da África amiga, eu era a alma.
Do chão da pátria, o senhor.
Nos meus braços estavam
as esperanças de minha terra
e a certeza de minha raça.
Mas, da maldade, fui presa.
De brutalidades, a vítima.
- De meu povo fui sequestrado.
Do navio imundo, fui o lastro.
Dos cruéis, mercadoria, moeda maldita.

Enterraram viva a minha consciência.
Enterraram viva a minha fé.
Enterraram vivo o meu destino.
Viva, enterraram a minha liberdade.
O fruto do meu trabalho
era doce na boca do meu senhor,
mas amargo no meu coração.
- Para mim, não era a estação dos frutos.

Princesa Isabel...
Liberdade me deram para sofrer.
Liberdade me deram para morrer.
Liberdade me deram para não ser
cidadão, proprietário, semelhante.

Fui vender doces, fazer balaios
ou me empregar na fazenda dos cruéis,
para não morrer de fome;
para não roubar, se possível.

Do Brasil fui a ralé.
Deste chão, erva maldita.
Não me aceitou gente de bem,
como se eu fosse o bandido da história.

Da chibata, desci à sepultura,
mas revivi no sangue de meus filhos.
E hoje caminho no porão imundo
do grande navio social.
Não sou escravo, sou escória.
Não sou sujeito, sou suspeito.
Navegando...na calmaria.
Lançado ao mar... na tempestade humana
que não procurei.



Tatuí, 1988. Outras mídias: Jornal "O Tatuiano", coluna "Relevos", de Odimar Martins, 14/05/1998; Prêmios: Fepoc (Cerquilho/SP, 1999), Prêmio Unimed (Tatuí/SP).

percepções / InDependência


dependency
independência

dependency
independência

dependency
independência

dependency
independência

dependency
independência
Tatuí, 1988

o sapo

Sentinela petrificada,
robusto, altivo, solerte,
está o sapo na calçada
como a matéria inerte.

Olhos grandes, dois botões
no ápice do corpo ereto,
perscrutam aproximações
descuidadas de insetos.

E, como se um gatilho disparasse,
a lingua do sapo dispara,
longa, lépida. Como num passe
de mágica, arrebatara 

uma mosca, mariposa...
Depois se ajeita, saltitando
levemente, sem ruído, e posa
novamente, inerte, disfarçando.

Boituva, 1988

CREAÇÃO

Luz. Calor. O sol!
Nem mesmo o destino a esmo
faz um arrebol.


Tatuí, 1988

LUZ DO CORPO

Olho: luz do corpo.
Se teus olhos forem maus,
que caminho torto!

CA-BELOS

Os teus cabelos,
menina linda,
deixa crescê-los
bem mais ainda.

trova | O peão merece respeito

O peão merece respeito
(Ouviu bem, senhor patrão?)
para poder com efeito
do suor comer seu pão.

RAZÃO PRA VIVER

Sei que não devo ser triste.
Tenho razão pra viver.
Saber que em mim Deus existe,
saber que existo em seu Ser.

trova | Deveria mais atenção

Deveria mais atenção
à criança ser dispensada.
A criança está co'a razão
da alegria tão procurada.


trova | Só o Autor de tudo tem

Só o Autor de tudo tem
o poder para criar
algo para o nosso bem
que, entretanto, é o nosso "mar".

domingo, 1 de novembro de 1987

inquietações / Canudos

Por que destruir Canudos?
As aves gorjearam fora da lei.
O sertão se atreveu a florescer.

Por que destruir Canudos?
Os homens juntaram suas fraquezas,
plantaram, colheram, edificaram,
ouviram prédicas incomuns.
Construíram um sonho,
morreram um sonho...
Não há lugar para sonhos coo esse
na noite longa do sertão.

Por que destruir Canudos?
Não sei, não sei não...
Por que não pode existir Canudos?
O sertão é tão denso.
o sertão é tão grande,
quase não se pode chegar lá.

Mas não bastou para esconder Canudos.
- O sertão se atreveu a florescer.

Boituva, 1987

terça-feira, 7 de julho de 1987

inquietações / Avencas

Rubens Oficial

Frágeis gotinhas verdes
acenos suspensos no ar,
balançam sossegadamente
como a nos ensinar
que a vida passa depressa,
mas sem pressa de passar.


Tatuí, 1987

A PAZ

Se tiveres paz,
serve-me na mesa.
O bem que me faz
paga-te a despesa

segunda-feira, 7 de julho de 1986

ANDARILHA

Rubens Oficial

Sob a chuva fria,
passou pela rua uma mulher,
com sua trouxa na cabeça,
chorando,
por não ter onde se abrigar.

Dentro de casa, observando,
alguém comenta:
- Não reclamemos da vida,
olhemos para trás e veremos muitos
que gostariam de estar em nossos lugares...

Dentro do abrigo, alguém ganhou um exemplo.
Mas, lá fora, a mulher andarilha,
que ganhou?

Boituva, 1986

VISÃO...

Rubens Oficial

Dona de casa simples,
nada mais sabe, fora de seu portão.
Operário humilde,
nada conhece, longe de suas mãos.
Pobre boia-fria
que tudo ignora, longe de seu facão.

Mas ninguém mais sabe
que a dona de casa, de sua aflição.
Mas ninguém conhece,
mais do que o operário, de seu ganha-pão.
Todos ignoram quem, na entressafra,
do boia-fria humilde, corta o feijão.

Ora, gente, quem não vê
que dos interesses nasce a visão?
Quem quiser um dia melhorar de vida
deve (ele mesmo) lutar pelo pão.

Boituva, 1986

domingo, 28 de abril de 1985

achados | Revista Interação

Fala sobre Tatuí com dados desatualizados:

"Quem for a Tatuí, uma simpática cidade de 31 mil habitantes (...) estará mergulhando no legítimo universo caipira da cultura paulista."

(revista Interação, edição nº 10, de abril de 1985, da Difusão Nacional do Livro Edit. e Imp. Ltda.)

Observação: A população de Tatuí em abril de 1985 é de mais de 60 mil habitantes.

domingo, 5 de agosto de 1984

crônica | Novidades...

 Rubens Oficial

Quando queremos saber das novidades, procuramos um jornal, claro!. Políticas, econômicas, científicas, esportivas... muitas são as novidades. Porém, poucas são as boas notícias. No mais, são notícias ruins, tragédias, previsões de dias piores, atritos humanos...

Terminamos a leitura do periódico satisfazendo nossa sede de estar por dentro das últimas, mas agora com peso no peito, uma apreensão, um medo.

A gasolina vai subir outra vez e, com ela, também o gás de cozinha. Os remédios terão nova alta a partir de segunda-feira... Etc

E quando vem o novo reajuste salarial? Só em janeiro? Maio? Será de 100% do INPC? E a defasagem dos últimos dez anos? Será que sobrará o suficiente para o tratamento dentário, que o INPS ainda não abarcou? 

A eleição direta sai? Não sai? E o colégio? Por falar em colégio, a mensalidade do cursinho subiu. Vamos experimentar se dá para continuar. Se não...

Na Vila Tal, um sujeito atacou um homem que saía de um armazém para extrair-lhe os dentes de ouro da boca à força. Não dá mais para aventurar. Sair à noite por ruas pouco movimentadas é abusar... 

Essas novidades nos trazem angústia.

.............................................................................................................

Outro dia fui visitar uns parentes. Chegando ao portão, logo que fiz soar a campainha, apareceu na porta minha sobrinha de três anos e pouco. Olhou meio assustada... e depois, me reconhecendo, disparou para o portão, rindo e gritando: o tio, o tio, o tio!

Então, abraçando-a, entramos para a casa, onde seus pais já nos aguardavam à porta. Fi-la sentar nos meus joelhos e lhe perguntei das novidades. Novidades?

Então ela me contou:

"Tio, a Zoze deu uma moidida no meu quesso! Ai, meu Deus, quase moli de dôi. Ficô peto o lugai...

.............................................................................................................

E a angustia saiu.

sábado, 7 de julho de 1984

24 de abril

Rubens Oficial


Hoje é o dia do meu aniversário.
- Parabéns, mamãe!


Boituva, 1984 

PARABÉNS PARA MIM

Rubens Oficial

Não, não me dêem parabéns em abril.
Não tive mérito algum em nascer
nem me recordo de nada.
Dêem-me parabéns em janeiro
- dia sete de janeiro.
Foi a única vez que o filho
de "seo" Ismael e de dona Laudelina
teve uma festa
- por dentro e por fora.
Uma força sobrenatural
me envolveu naquele dia.
(Nunca recebi tanto presente!)
E pela primeira vez me senti importante.
Interessante...
Quem diria que eu seria tão feliz assim!
Uma mulher me trouxe essa felicidade
em suas mãos.
E me deu suas mãos.

Boituva, 1984

domingo, 8 de janeiro de 1984

Em Águas de Lindoia

Rubens e Zélia na porta de entrada do Hotel Yara, em Águas de Lindoia, SP, no dia 8 de janeiro de 1984, um dia após nosso casamento. Um menino pequeno que conhecemos na rua fez a foto.
Na praça de Águas de Lindoia.


jornal Integração, 08/01/1984, 1ª página


terça-feira, 1 de novembro de 1983


Uma criança é o que mais podemos chamar de poesia concreta.

penso

Penso, logo sou um pensador.

água

Água mole em pedra dura? É cascata. 

terra de cegos

Em terra de cegos, quem tem um olho é homem de visão.

absurdo

Mais do que um absurdo é um absurdo-e-cego.

peixe leão

O peixe leão vive reclamando o título de rei dos mares, que lhe é negado pelas outras espécies.

céu nublado

O céu nublado é um método anticoncepcional que evita o nascer do sol.

cão

Quem não tem cão caça um.

peixe martelo

O peixe martelo, ao atingir a adolescência, sonha em encontrar o seu carpinteiro encantado?

caminhoneiro

Bronca de caminhoneiro: o que eu não consigo entender são os buracos negros do asfalto.

pedágio

Uma das funções do pedágio é a de pentear o tráfego.

lua cheia

Isso que dizem ser lua cheia não passa de um orifício no céu, por onde vemos um pouco de seu esplendor interno.

R

O 'R' é a letra que dá mal conselho.

par

Na loja, peça sempre um par de meias, nunca uma inteira.

neblina

A neblina rouba a paisagem "de mentirinha".

coqueiros

Os coqueiros soprados pelo vento parecem chaminés a expelir fumaça verde.

a roupa e o joelho

Qual a diferença entre a roupa e o joelho? A roupa a gente torce quando junta água e o joelho junta água quando a gente o torce.