quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

A importância das calçadas para circular pela cidade

Leandro Sarmatz
Conteúdo do site Vida Simples


Ainda no século 19 os parisienses inventaram a figura do flâneur, esse passeador urbano, despreocupado, que (e daí vem o termo) flana pelos bulevares de uma grande cidade. Experimente bancar essa figura em uma cidade brasileira e sair levinho por aí, olhando o horizonte (isso quando há horizonte), sem se preocupar com cada passo que der: o menos grave que poderá acontecer será um tropeço. Mas há casos de pernas quebradas e outras encrencas mais graves.

Com raras exceções - zona sul do Rio de Janeiro, avenida Paulista em São Paulo e mais uns poucos lugares -, o estado e a fluidez de nossas calçadas não são uma preocupação dos governantes. Tampouco dos cidadãos, que esquecem sua importância inclusive como elemento de sociabilidade (lembra quando as pessoas ficavam conversando nas calçadas? Pois é).

Aí é o caminhão que estaciona no meio do passeio público, o lixo acumulado entre o poste e o meio-fio, a banca do camelô entre o poste, o orelhão e o portão do prédio.

Como passar? É com esse mote que o jornalista Eduardo Nasi, morador do Brooklin, na capital paulista, participa de uma página no Flickr com verdadeiros flagrantes de descaso urbanístico com essa figura cada vez mais rara, o cidadão que caminha. 'A intenção não é fazer uma denúncia e recriminar os vizinhos. Porque o problema é geral, é cultural, a gente deixou de ver a calçada como um lugar bacana do bairro. As pessoas não fazem por mal. Quando elas se dão conta do que estão fazendo, se constrangem. Pedem desculpas. E tomam providências de verdade", diz.

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