sábado, 10 de outubro de 2009

Empresa dos EUA desenvolve geração de eletricidade a partir de árvores vivas

Método aproveita energia interna das plantas para alimentar sensores.

Diretora explica que Amazônia é mercado potencial para tecnologia.

Dennis Barbosa
Do Globo Amazônia, em São Paulo

Não é só derrubando e queimando que se pode gerar energia com uma árvore. Uma empresa dos EUA desenvolveu uma forma surpreendente de colher a eletricidade de dentro dos troncos de árvores vivas.

O que a Voltree, empresa sediada no estado de Massachusetts faz, é aproveitar a diferença de acidez que existe entre o solo e o interior da árvore para usá-la mais ou menos como se fosse uma bateria. Assim, basta acoplar seu equipamento no tronco e a planta vira uma espécie de tomada.



Floresta conservada no interior do Amazonas: possível fonte de energia para rede de sensores? (Foto: Iberê Thenório/Globo Amazônia)

A energia obtida é considerada "ultrabaixa", muito fraca para que possa ser considerada uma alternativa para, por exemplo, alimentar uma casa, mas suficiente para suprir pequenos sensores que podem integrar redes de monitoramento terrestre de florestas, que indicam dados climáticos e alertam para queimadas.

O método ainda está sendo aperfeiçoado nos EUA e deve ser lançado em junho de 2010. No momento, a Voltree trabalha no desenvolvimento de um sistema de rádio mais eficiente que permita transmitir os dados capturados pelos sensores com uso mínimo de energia.

Em entrevista ao Globo Amazônia, a diretora-executiva da empresa, Stella Karavas, explica que não tem negócios fechados para uso do sistema na Amazônia, mas que ele é adequado também para a floresta tropical. “É definitivamente um mercado que estamos de olho”, diz.

A densidade da floresta tropical, segundo Stella, não é um problema. “Os aparelhos não precisam de vento, nem de sol”, aponta. Essa é uma vantagem para capturar dados mais precisos na altura do solo. “Basicamente é possível ligá-los em qualquer ser vivo não-animal”, aponta Stella. “Eles funcionam até ligados em cactos”, completa.

Futuramente, a Voltree espera poder também acoplar sensores de presença nos “colhedores de energia”, permitindo que sejam usados para fins de segurança nacional, como monitorar fronteiras em regiões de floresta – um grande problema na Amazônia.

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